AS PALAVRAS

Palavras

As Palavras… São como folhas que caem das árvores Ou como pássaros que pousam leve. Umas queimam muito como a urtiga, Outras, gélidas, são como a neve. Às vezes, tal lâminas afiadas. Noutras vezes, são como curativos, Deixando as almas aliviadas. Noutras, breves, ágeis, são incentivos. Plumas de pavão ou o mimetismo Do camaleão ou, ainda, a cor fluida de algum organismo. Ou nuvens em algodão e seu brancor. Ou são peças de um quebra-cabeça. Ou se travestem com muitos enigmas, E somem antes que se adormeça, Carregando consigo seus estigmas. Essa é a mágica das palavras: Transmutam-se como as borboletas, Embora amenas se mostram bravas. Há quem as use como “muletas”, Mas há quem com elas seja tão hábil, Tão apto, proficiente, prestímano, Que as use como usa um sábio Os erros para seu próprio estímulo. Destarte, elas sobrepujam a quântica. Desfilam, passeiam, fluem, concebem O leque colorido da semântica, Para quem sabiamente as desvestem, Muito embora, haja quem as use Sem harmonia, senso ou estilo. O que importa sim é abraçá-las, Assumindo-as sem pudor ou sigilo.

Suely Andrade – Escritora e crítica literária cearense