UM POEMA DE ARACELI SOBREIRA BENEVIDES

estátuas-de-mármore

Um dia a gente tem mãe, baby,
Tem dia que não tem mais.
A gente desce uma ladeira
Correndo, segurando uma rosa branca na mão
Noutro dia, a rosa escurece, esvai-se em leveza.
Um dia, um guarda-chuva arco-íris
Protege-nos dos trovões
E nossos risos embaixo da cama
Se encontram com as formigas e as aranhas
“E as mães que não varreram nada?
Não viram nada?”
Muitas cicatrizes na pele preta, na pele parda
Muita dor na carne crua
Um menino sozinho na violência da vida
Baby, é isso que acontece, quando as mães morrem cedo,
Antes da chuva do meio-dia.
Antes da torta de framboesa…
Antes que os vestidos fiquem longos
E as tranças fiquem feitas.
Baby, é isso que acontece quando as mães
Não sabem como o Mal
Entra na pele das crianças
E as estátuas de mármore não revelam para onde foi toda a inocência das baladas de ninar…

Lembrando de alguém que sofreu mais do que eu!
Em 05/06/17 – Por Araceli Sobreira Benevides – Amiga e poeta.

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