SOBRE O FIO DE UMA NAVALHA

NAVALHA

Já são tantos anos caminhando sobre o fio afiado de uma navalha qualquer sempre repleto de incontroláveis ações e relações, nesse meu céu repleto de virtudes e vícios. Logo esse céu para onde não quero ir. E olhe que um dia estive à beira de partir, sentir o sabor do beijo banguela dessa tal senhora morte. Ufa! Que hálito! Crônica louca, mais parecida poesia que escrita de velocidade. Paremos com isso e ignoremos esse galo que canta feito um louco toda manhã anunciando um novo dia. Novo dia? Isso de marcar as horas estancou desde o dia em que parei de querer saber onde começará a minha hora e terminará a tua.

E me desculpe se já não paro para sentir as tuas dores. Eu lamento, pois as minhas eu já não aguento. Entorto a vista a cada vez que você me conta um novo bando de mentiras. Prefiro correr o perigo de talvez nunca mais te achar nem de abrir a boca para pronunciar-te o nome ante mazelas e coisas difíceis tão impossíveis de explicar. Fique, portanto, com o lado direito de meu peito e se dê por satisfeito ou satisfeita, saia ou fique minha amiga ou amante quando eu te bater à porta. Pois sou um sobrevivente de tudo e todos que estão lá fora feito idiotas correndo perigos de desastres naturais ou provocados, pois já cobri minha cota dos riscos de vida pelos quais passei. Perrengues são comigo mesmo.

Hoje amanheci querendo, buscando encrencas. E risquei teu nome no ar com você de volta me esperando na esquina. Um dia eu vou te achar seja nessa ou em outra vida se é que isso de voltar existe mesmo. E te vou ser perverso descontando tudo que te dei e não recebi de volta. Portanto, prepare-se, já que nosso próximo cruzar de olhos haverá de ser em verde-castanho-escuro novamente, olhos reluzentes. Prepare-se, então, meu bar na contramão. É que nunca mais quero ser tratado como um cachorro jogado às pulgas, uma vez que vocação para otário eu nunca tive. Não sou um cão sarnento eu o sou em pessoa e duas palavras bastam para boa entendedora.

Estende essa tua rede e sente o cheiro dessa flor colhida no lixo por minhas mãos calejadas de nada. Faça como Deus, que vive nos ensinando prazos. Coisas de sonhar se a vida já é tão repleta de nada em preto-e-branco. Fecha esse livro, poeta e para de procurar em grandes nomes as respostas que nunca tu terás, já que como a vida todo bom livro também acaba. E não me venhas com desconcertantes beijos de deixar escapar segredos, pois já te disse tantas vezes te amo com esse tempo arrastado por testemunha que resolvi: nunca mais. É que nessa novela chamada vida nunca mais quero ser teu amigo.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s