EU NÃO POSSO DEIXAR DE DIZER, MEU AMIGO!

BELCHIOR PARA KELSEN 2

              Você não sente nem vê, por que o que era jovem e novo hoje é antigo. Ele passou por aqui, deixou dito ao que vinha e pôs o pé na estrada. Largou o corpo tantas vezes ocupado por velhas roupas coloridas e foi…partiu, talvez, na mesma cauda de cometa que o trouxe até nós exatos 70 anos atrás. Como se chamava Belchior, o nome de um dos três reis magos que ao menino Jesus trouxeram ouro, incenso e mirra, deve ter voltado aos seus. Alegrando-os com seu eterno violão, pois uma nova mudança está acontecendo nesse País e mais uma vez vamos precisar deles como nunca. E eles, os jovens, não têm mais tempo de se apaixonar.

            Deixem que ele vá sozinho e decida a nova vida que os céus lhe deram, ou que se ladeei de Poe, poeta louco que talvez o tenha vindo buscar e levar para trocar letras e farpas com Dante em algum de seus Infernos alucinantes, sob a luz de cigarro após cigarro às gargalhadas, rindo dos que por aqui ficaram e agora vão tentar decifrar o que tanto ele escreveu em absoluta duplicidade e cheio de apologias às subliminares de Aleister Crowley.

            Sou da geração que primeiro viu a que vinha o Pessoal do Ceará nos iniciados anos 1970. E cantei ao som de Fagner, Belchior e Ednardo, avisando-nos que talvez morressem jovens em alguma curva do caminho chamando sempre seus bem-amados corações femininos, masculinos ou que algum punhal de amor traído completaria seu destino de traidor. Mas não há jeito, pois morre-se só como só somos fecundados um a uma pelos úteros de nossas amadas mães. E nossos intrépidos pais. Como nossos pais.

            E segui perguntando por novas invenções em 52 anos vividos e ainda tão vívidos neste cérebro que de tudo leu e desses olhos que viram coisas sobre que o novo sempre vem. E como vem e como está vindo de maneira lancinante feito faca e a palo seco. Pois alucinação para mim é suportar a dor de todo dia. Sabendo que o fim espera por nós, sim por VOCÊ, nobre que ora põe seus olhos já um tanto cansados nesses escritos que bem poderiam ser delineados ao infinito falando daqueles que vêm a esse mundo para modificá-lo. E você? O que vai deixar para que te lembrem nesse mundo. Efêmera passagem que levarás em teu exíguo espaço final de morada. Quantas terás para acertar de contas aos que te esperando lado de lá. Que seu olhar tenha sido lacrimoso, Belchior. Passei pelos bagaços de cana do engenho e não tenhas mais medo de avião, pois agora te tornastes alado.

 

 

 

 

 

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